Nas últimas eleições, o Per Raps trouxe um especial mostrando diversas visões sobre os perigos de elegermos o candidato que se sagrou vencedor. Apesar da vitória do candidato do PSL, o Brasil seguiu razoavelmente dividido, política e ideologicamente falando, preso no mesmo loop em que entramos após a eleição acirrada entre Aécio Neves e Dilma Rousseff, que foi eleita para seu segundo mandato e retirada do poder após um golpe camuflado de impeachment democrático. Mas onde o rap ficou nessa história toda? Infelizmente também dividido.

Se para nós é muito óbvia a origem da cultura hip-hop e do próprio rap, vindo do gueto, mais um fruto da diáspora negra e gênero de protesto por essência, outras pessoas acharam que o rap não precisava ser combativo e poderia até trazer costumes conservadores, de direita e até reacionários. Alguns rappers tomaram a frente, mas no geral, uma onda menos política abraçou o rap nos últimos tempos. E tudo bem. Mas não foi o que o rapper NGC Borges fez.

Morador do Rio de Janeiro, o artista virou alvo de ameaças de morte depois que o PM Gabriel Monteiro, youtuber ligado ao MBL (Movimento Brasil Livre), postar um vídeo contra Borges no último dia 30 de março. Depois disso, dados pessoais do MC e de seus familiares foram divulgados, inclusive seu endereço residencial e documentos de identidade. A partir daí, mensagens com ameaças de morte e agressão passaram a fazer parte de sua rotina.

“O cara foi covarde, usou termo um sensacionalista pra ferrar com a minha família. Todos meus dados e dos meus pais estão na internet, inclusive em grupos de pessoas que querem fazer maldade comigo. Desde ontem estou recebendo ameaças”, disse Borges em entrevista para a Rede Brasil Atual.

Talvez você esteja se perguntando o motivo dessa richa. Em uma preview de seu próximo lançamento, Borges dizia que “esculacharia” Gabriel Monteiro, que havia sido afastado da função por má conduta na corporação, e também pelo conteúdo de suas postagens. O policial youtuber, que responde à Comissão de Revisão Disciplinar (CRD) por apresentar “conduta irregular, propagando críticas e palavras ofensivas contra integrantes da Corporação, sem apresentar provas, em suas mídias sociais, agindo em desacordo com as normas vigentes da PMERJ”, rebateu chamando o artista de “marginal” e “bandido”.

A treta virou um dos mais comentados do Twitter nesta terça-feira (31) e fãs e artistas trataram de apoiar o rapper. No momento, Borges diz que “não pode sair de casa, por orientação de seu advogado, e promete abrir um processo contra Gabriel Monteiro”. E completou. “A que ponto a covardia essa chega? Tentar encostar na minha família foi o cúmulo. Esse cara é muito sujo. Tenho provas de que estão tentando acabar com a minha vida por causa do vídeo dele”, relatou em entrevista.

Leia mais em: https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2020/03/rapper-rio-ameacas-video-pm-gabriel-monteiro-ligado-ao-mbl/

A arte como crime

Muitos artistas apoiaram NGC Borges e ressaltaram a questão do viés artístico em suas letras e clipes que retratam a realidade. “Quando você é preto a arte e o crime ficam separados por uma linha frágil demais”, publicou a trapper carioca Ebony. Já Coruja fez um paralelo do clipe com roteiro de um filme, mostrando que o PM está usando de sensacionalismo no vídeo contra o rapper. Borges também recebeu apoio de outros artistas como Don L, Djonga, Tasha e Bivolt – que se posicionaram contra a censura e a favor de sua liberdade artística. 
Fortaleça o rapper pelo Twitter seguindo seu perfil @Ngc_Borges.

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