Cadelis, Sob a Tempestade (2015)

Lançado no início de maio, o primeiro vôo solo de Cadelis leva o ouvinte a um passeio que inicia dentro de uma tempestade e o conduz até a calmaria

por Eduardo Ribas (@duardo)

Na guerra de batalhas diárias, acordamos, tomamos banho ou não e, dependendo de quanto tempo temos tomamos um café, ali em casa mesmo ou correndo em direção ao ônibus ou o metrô. Chegamos no trabalho, damos bom dia – na esperança de termos ao menos um olhar em troca, pois muitas vezes nem isso temos – e nos preparamos para iniciar o dia de trabalho. Respondemos e-mails, brigamos com o tédio de tarefas que poderíamos eliminar em 2 ou 3 horas ao invés de 8 ou 9, tudo isso em meio a mais um café, marmitas ou pfs e algumas boas olhadas no relógio na esperança da hora da saída chegar mais rápido. Não chega.

Essa é apenas umas das pequenas tempestades que enfrentamos todos os dias, sem falar no perrengue de falta de grana, desemprego, carência afetiva ou o que for. E são essas e tantas outras tormentas que serviram de inspiração para Sob a Tempestade, álbum provavelmente feito em pleno fogo cruzado, mas que se revela cheio de positividade, agradecimento e superação de obstáculos.

Ouvindo o primeiro disco solo do curitibano Gustavo “Cadelis” Correa do início ao fim, passamos por diferentes fases, das colagens que abrem os trabalhos como as nuvens que antecedem a tempestade, até a última faixa, que traz a boa participação da dupla Savave, em ‘Curso Natural’. Entre beats que transitam entre o mar bravo e a calmaria, o disco também é romântico, mostra o MC gastando o gogó em ‘Estrela’, que se fosse uma cena de cinema, seria aquela em que o personagem principal se descobre apaixonado e passa a ver só o lado bom da vida. Mas é a também romantica ‘Jazzy Suave’ a faixa mais intimista, tanto pelo belo beat de Dario, que nos conduz por notas de um piano jazzístico, quanto pelo refrão cantado por Janine Mathias, que promete grudar na mente.

Nas faixas mais ‘rap clássico’, ‘Tempo Perdido’ deve agradar os fãs tradicionais, pela rima nervosa em volta de minutos mal gastos na correria diária, pelo beat boombap e o refrão feito com colagens – que por incrível que pareça têm se tornado raras. A faixa inclusive ganhou um clipe que relembra as melhores produções do rap underground e mostra o MC rimando (ou tentando rimar) submerso. Gravado em 3 dias pelo estúdio Rasputines, o vídeo faz o MC enfrentar o duro desafio de entrar em uma piscina na fria Curitiba, enquanto interage com um computador, um toca-discos e um sofá. Destaque também para ‘Infinito’, o desabafo de Cadelis, uma verdadeira verborragia de reflexões que segue quente, sem refrão, até o fim. A produção musical de “Sob a Tempestade” é responsa de Dario, que mais uma vez nos presenteia com beats com alma e emoções próprias, contando também com a participação do DJ Morenno nos riscos e colagens.

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