Rapper Pacheco, do grupo Delta9, faz apologia ao estupro em redes sociais. Participe da denúncia coletiva

Em 2012, ano dos últimos dados sobre violência que temos, o número de homicídios cresceu 7,8% em relação ao ano anterior. Nem preciso dizer que a população negra e pobre foi a que mais sofreu com esses índices. Já os números de estupros subiram 18,7% no mesmo período. Isso significa que 26 pessoas, em grupos de 100 mil habitantes, foram estupradas. E sabemos que quem mais sofre com isso são mulheres.

A violência sempre foi assunto para o rap. A luta por igualdade, por oportunidades e contra a impunidade daqueles que promovem o genocídio do povo negro e pobre foram pano de fundo de diversas músicas que marcaram gerações. Dina Di, Brow, Sabotage. O enredo sempre foi bem parecido: chega com essa merda toda de oprimir ainda mais o oprimido.

O tempo passa e a gente continua acreditando no rap como uma maneira de mudar o mundo e as relações de poder. Aí chega uma molecada que acha que tudo é festa, que rap é fumar maconha e se achar muito revolucionário por isso – gente, a maconha está super próxima a ser descriminalizada, daqui a pouco vai ser como beber uma cerveja, não se achem rebeldes por isso – e joga tudo no lixo. É o caso do Delta9, do Espírito Santo.

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Quem são eles eu não sei. De verdade. Nunca ouvi nada. Até hoje. Hoje descobri da existência dos moleques porque um cara chamado Pacheco, MC do grupo, anda fazendo apologia ao estupro no Twitter. Olha só que legal, não basta que mais de 50 mil casos de estupro sejam registrados por ano, ele ainda quer mais.

Todos os dias, mulheres são mortas apenas por terem nascido mulheres. Elas são aliciadas pelo tráfico de pessoas e obrigadas a se prostituírem do outro lado do mundo. Elas são mantidas em cativeiro como escravas sexuais. Meninas de 7 anos são vendidas em prostíbulos e têm sua virgindade vendida por e para homens adultos.

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Essa apologia à violência é um serviço muito cruel de manutenção do poder. Estupro é usado como arma de guerra para desmoralizar populações inteiras. Colocar a mulher, principalmente a negra e a pobre, sob uma opressão ainda maior do que elas já vivem, é cruel demais.

Não dá para dizer que o tal Pacheco falou da boca para fora. Foram diversos tweets fazendo apologia ao estrupo, ao assédio em transporte público e à violência sexual contra deficientes.

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Fizemos uma denúncia ao Ministério Público e incentivamos que todos que se sentirem agredidos com essa postura, façam também.

Link: http://cidadao.mpf.mp.br/formularios/formularios/formulario-eletronico
Descrição da manifestação: Repreensão à apologia ao estupro e à violência contra mulheres e deficientes físicos feito pelo artista Pacheco, do grupo de rap Delta9, do Espírito Santo.

Solicitação: Solicita-se abertura de processo contra apologia à violência contra mulheres e deficientes físicos, de acordo com o Art. 286 – Incitar, publicamente, a prática de crime: Pena – detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa.