Megan Jovon Ruth Pet mais conhecida como Megan Thee Stalion é um dos nomes mais conhecidos no rap mundial da atualidade. Despotando hits nas maiores paradas de música como a Billboard, premiada no BET Awards, onde ganhou dois prêmios, dois BET Hip Hop Awards, também dois prêmios pela  MTV Video Music Awards e um Billboard Women in Music Award, Megan chegou a concorrer com ela mesma o prêmio de música do ano no WMA com “Savage” e “Wap”, sua colaboração com Cardi B lançada há pouco mais de um mês e que já ultrapassou mais de 200 milhões de visualizações no Youtube, ficando em primeiro lugar na Billboard, apenas duas semanas após seu lançamento. 

A texana de 25 anos ascendeu rapidamente sua carreira num tempo relativamente curto. Lançando sua primeira mixtape independente “Rich Ratchet” em 2016, desde lá a rapper tem em seu currículo parcerias como Beyonce, Nick Minaj, Ty Dolla Sign, Gucci Mane, Yo Gotti, Juicy J, entre outros. 

A história de Thee Stallion (algo como ‘A cavalona’ em português, apelido dados pelos meninos do bairro onde passou a adolescência) explica bem sua trajetória. Megan cresceu em Houston com sua mãe Holly Aleece, que também era Mc e se apresentava sob o pseudônimo de Holly-Wood. Desde pequena, Stallion freqüentava os estúdios de gravação e rimava versos que ela mesma escrevia em cima das batidas dos discos de sua mãe.

Entre outras características de destaque, o fato de compor suas rimas, faz com que Megan tenha tamanha legitimidade como rapper no cenário. Rimadora de improviso (ou ‘freestaileira’) oriunda das batalhas de mc das ruas de Houston, Megan tem uma qualidade próxima dos speedflows, e essa habilidade fica registrada em algumas de suas músicas. Seus vídeos em batalha de mc no início da carreira, ou mesmo de freestyle em programas de rádio após sua descoberta, podem ser conferidos na internet. Casos como de Megan nos faz relembrar histórias como a de Notorious Big, e até mesmo de Emicida, se tratando do contexto nacional, de artistas que tiveram seu início como rimadores de improviso de rua e seu talento reconhecido por isso.

Aos dezoito, Megan Thee Stalion estava decidida a seguir a carreira musical. Seu sucesso poderia ter sido antecipado, caso sua mãe não tivesse a orientado lançar suas músicas só após os vinte e um anos de idade (maioridade nos EUA), isso devido ao conteúdo explícito e alto teor de sexualidade das letras. E foi o que ela fez.  Após sua primeira mixtape, em 2017 lançou o álbum “Make it Hot” que já chamou bastante atenção. Stallion assinou então com a 1501 Label, gravadora pela qual lançou o play “Tina Snow”, seu alter ego inspirado em Tony Snow, també alter-ego de Pimp C, o falecido fundador do UGK. 

A partir de Tina Snow em 2018, a rapper decolou sua carreira. O disco já trazia “Big Ole Freak” faixa que traz uma nostálgica sonoridade r&b dos anos 90. O sample de “Is this lovetime?” do Immatures levou vários Hotties (fãs de Megan) a ouvir e comentar a música original no Youtube. A faixa permitiu a Stallion sua primeira colocação na Billboard Hot 100 no 65º lugar. No ano seguinte, Megan lançou a mixtape “Fever”, com ótima aceitação da crítica o que a levou a fechar com a 300 Entertainment, mesma gravadora de Fetty Wap e Young Thug.

Tudo indica que Jay Z, um dos empresários mais bem sucedidos da indústria fonográfica norte americana, já estava de olho em Megan, tanto que, ao final de 2019, a artista assinou contrato com a Roc Nation, para gerenciamento de sua carreira. Apesar de todo êxito, Megan precisou lidar com o falecimento de sua mãe, que chegou a ser sua empresária, e sua avó, ambas no mesmo mês. Dois mil e dezenove definitivamente foi um ano incisivo na vida da artista. Sua primeira gravadora não contava com a rapidez que as coisas na vida de Stallion tomariam, e problemas contratuais trouxeram alguns empecilhos para o lançamento do seu álbum. No entanto Suga foi lançado em março de 2020.

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Megan e Jay-Z na assinatura do contrato com a Roc Nation. Fonte: Reprodução/Instagram

Com uma ascensão quase súbita e produções contundentes em apenas quatro anos, Suga poderia soar como um desfecho de sucesso, mas Stallion indiscutivelmente está em seu auge. O álbum conta com a participação de Khelani em “Hit My Phone”, e também com a estourada “Savage” que ganhou um remix com ninguém menos que Beyonce e que antes disso, já tinha viralizado nas redes como desafios no aplicativo Tik Tok, chegando assim, a atingir o primeiro lugar da Billboard.

Outra faixa de destaque é “B.I.T.C.H”, uma versão com o eu- lírico feminino de “Ratha Be Ya N.I.G.G.A”, do Tupac, que, além de uma homenagem ao icônico thug life, converge o sentido de Nigga para Bitch, sugerindo uma transição de gênero e sentido dentro deste contexto. A música traz como batida o sample de “I Rather Be With You” do Bootsy Collins (também usado em “Redbone” de Childish Gambino). 

Um dos últimos episódios polêmicos envolvendo o nome de Megan Thee Stalion foi seu relacionamento com o rapper e cantor de r&b, Tory Lanez, Na ocasião, Lanez fez disparos com arma de fogo contra Megan, após uma discussão dentro de seu carro. A história tem repercutido bastante entre os fãs de ambos nas redes sociais e o caso já foi encaminhado à polícia. Tory Lanez lançou em 2016 seu álbum de estreia “I Told You”, disco com dois dos seus maiores hits “Say it” e “Luv”. Esta última levou o artista a ganhar o Grammy de melhor canção R&B de 2017. Lanez não perdeu a oportunidade e lançou agora no final de setembro “Daystar”, disco todo dedicado ao ocorrido em sua relação com Megan Thee Stallion.

A pergunta que se costuma fazer em casos de sucesso rápido e estrondoso como de Stallion, é por quanto tempo ela permanecerá? Todo reconhecimento de seu trabalho, nomeação a prêmios, participações em realities e programas de música como Tiny Desk, além dos números astronômicos relacionados ao seu nome em curto período, nos leva a questionar o tempo de vida de Stallion dentro do jogo, mas por outro lado responde bem a essa pergunta. Megan tem respeito no cenário. Situações como ter uma collab com Cardi B e Nick Minaj, quase que simultaneamente, com imparcialidade no contexto de rivalidades mainstream do hip hop, é um indicativo disto.

Para além deste contexto, há duas semanas, Stallion foi capa da Time, uma das revistas mais importantes dos EUA, que a classificou como fenômeno e a listou como umas das 100 pessoas mais influentes do mundo. Sim, pelo que tudo indica isso tudo é só o começo.

https://www.instagram.com/p/CFdi1SVgudh/

A nova música de Megan Thee Stalion, “Don’t Stop”, em parceria com Young Thug, já está no ar. Confira.

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