Primeiras impressões de Ladrão, novo disco do Djonga

Pelo terceiro ano seguido, Djonga entrega um disco que será ouvido e discutido o ano todo. Se o MC continuar nesse ritmo de produções, se pá vire tendência a gente falar que o ano só começa de verdade quando ele lança um álbum.

Aberto os caminhos, “Ladrão” chega em um dia conturbado com caso de alunos matando colegas em Suzano (interior de SP) e com Facebook e Instagram fora do ar, fato que de certa forma rendeu ao disco atenção plena em outra rede, o Twitter, com direito a hashgtag nos Trending Topics. Sem tempo pra respirar, o trabalho é direto, sem rodeios. Djonga, no seu melhor estilo, vem apresentando frases marcantes que certamente ficarão na nossa memória por muito tempo.

Cada vez com maior noção da sua responsa, o MC mineiro faz uma verdadeira carta aos seus irmãos em “HAT-TRICK”. Destaco o alerta contido em:

“É pra nós ter autonomia. Não compre corrente, abra um negócio
Parece que eu tô tirando, mas na real tô te chamando pra ser sócio
Pensa bem, tira seus irmão da lama, sua coroa larga o trampo
Ou tu vai ser mais um preto que passou a vida em branco?”

Tem muita ideia pra ser trocada só com esse trecho.
Cê é louco!

Mas o que fica evidente é a preocupação que o MC possui em fazer um chamado a quem o ouve. Algo do tipo “vamos ser agora os donos e deixar de ser os expropriados”.

Como um bom ouvinte de Don L, Djonga sabe que, se você conseguir um lugar de destaque e não levar ninguém contigo, isso não é Hip-Hop. Por conta disso, ele quer trazer cada vez mais pessoas para os lugares que elas merecem. Através de sua música, isso é feito indiretamente, mas ele o faz de uma forma mais direta também levando cada vez mais pessoas para sua equipe e chamando artistas que ainda não tiveram a atenção devida para participar dos seus feats. Dessa vez, foram convocados Doug Now, Chris MC e MC Kaio, com seu Flow Cassiano.

Fechando as participações e respeitando quem soube chegar onde chegou, há ainda a presença de Felipe Ret na faixa “DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL”, nome diretamente retirado do icônico filme de Glauber Rocha.

Destaque para “Voz” e “Tipo”, duas músicas com refrões que prometem grudar e bombar na pista. A orelhada vai para uns trechos bem contestáveis de “Tipo”, que parecem resumir uma mina a sua bunda fora de série e o fato dela não ligar pra grana.

Fora isso, respeito parece ser a palavra que permeia o trabalho. E respeito aos mais velhos primeiro. Como Djonga o faz a saldar seus ascendentes na linda homenagem feita em “Bença”. O respeito que ele prega para os irmãos e irmãs terem por si próprios. E respeito ao seu trabalho, que já pode ser considerado gigante e toma proporções maiores ao sabermos de onde ele veio e de sua história.

Escute o novo trabalho e descubra o quão talentoso Djonga é. Escute mais vezes e saiba o quão profunda suas ideias são. Em algumas poucas audições, a certeza que fica é de que não foi possível absorver nem metade de tudo que há pra ser entendido e, essa, sem dúvida, é a melhor parte de “Ladrão”.

Ouça Djonga, Ladrão