Rap BR Fora do Eixo: ouça Baco, Djonga, Cintia Savoli e outros MCs para além do circuito Rio-São Paulo

– por Savana Azolini

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Cada vez mais, rimas e beats criados por artistas de fora do eixo Rio-São Paulo têm chegado com força no rap nacional. Ainda falta muito para que essa diferença seja menor do que a distância territorial, mas quem sai ganhando somos nós, ouvintes: junto com novas vozes e sotaques diversos, temos visto letras criativas e com muitos questionamentos. Pra apresentar um pouco dessa galera, o Per Raps reúne na playlist Rap BR Fora do Eixo alguns dos sons que têm feito tanta diferença ao redor do país.  

A seleção começa com Baco Exu do Blues e suas Esú e “Sulicídio”. Esta última, em parceria com Diomedes Chinaski, expressa na letra um sentimento de revolta pelo favorecimento do hip hop do Sudeste do país – eles até chegam a citar nomes de alguns MCs, o que levantou polêmica na época do lançamento, dois anos atrás.

Vale lembrar que não é de hoje que o rap tem vozes fora dessa rota carioca-paulista: Câmbio Negro (Distrito Federal), GOG (Distrito Federal) e Da Guedes (Porto Alegre) são só alguns dos exemplos de artistas que têm uma longa caminhada na cena e que abriram muito espaço para MCs que hoje estão conquistando seu espaço, como RAPadura (Fortaleza), Don L (nascido em Brasília e criado em Fortaleza) e Djonga (Belo Horizonte).


O ano, aliás, tem sido de Djonga
. O MC de 24 anos, nascido na Favela do Índio, na região Norte de BH, e criado no bairro São Lucas, na zona leste, já tinha feito barulho em 2017, mas foi com o lançamento do álbum “O Menino que Queria Ser Deus” que ele tem se firmado cada vez mais. A luta antirracista sem metáforas faz com que Djonga crie uma legião de fãs, e contribui muito para a autoestima dos negros: basta ouvir a letra de “Estouro”, gravada com Karol Conka, uma grande celebração à negritude.

Conka também aparece aqui nesta playlist ao lado de outra curitibana: Karol de Souza. Duas MCs importantes para a cena e que abrem espaço para uma leva de minas no país inteiro, como a mineira Clara Lima, que já com o primeiro EP, “Transgressão”, lançado pelo selo Ceia, tem conquistado seu lugar com letras críticas ao patriarcado conservador, La Lunna (Vitória da Conquista, Bahia),  Brisa Flow (também mineira, mas que tem forte influência da cultura chilena de seus pais), Mima Fernandes (Minas Gerais), Cíntia Savoli (rapper nascida em Brasília, hoje residente na Bahia) e Sinta a Liga Crew, coletivo de hip hop da Paraíba.

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