Imagine essa cena: você é menina, adolescente e foi dormir pensando em como gostaria de ser uma daquelas europeias loiras, magras e de olhos claros que sempre ganham os concursos de beleza.

Quando você acorda hoje, entra no Twitter mesmo antes de sair da cama pra ver se alguém falou com você e encontra milhares de comentários sobre o tal Miss Universo e descobre que a mulher mais bonita do mundo é negra.

É claro que você não vai, de um minuto pra outro, achá-la bonita também. Você foi ensinada de que negros não são exemplos de beleza, a TV e as revistas jogam isso na sua cara todo dia. Mas você vai parar e olhar pra Leila Lopes, Miss Angola e atual Miss Universo, e se reconhecer. Seu nariz está ali, talvez seu cabelo, quem sabe seus lábios pareçam com o dela… e vai pensar que, se alguém a achou tão linda a ponto de representar todas as mulheres do mundo, você também pode ser bela.

Não vai ser hoje, nem amanhã, mas em algum tempo o amor próprio dessa menina adolescente vai ficar mais forte. E quando alguém apontar que ela é negra, ela poderá responder: “assim como a mulher mais bonita do mundo”.

Que tal esse novo sinônimo?

(Em 1977 uma negra já havia sido coroada Miss Universo, era Janelle “Penny” Commissiong, representando Trinidad & Tobago)