Poucas pessoas conseguem equilibrar doçura e força, mas esse não é um problema para as irmãs Lisa-Kaindé e Naomi Díaz, do Ibeyi, que fizeram um show de aquecer o coração na noite de ontem, no Audio Club em São Paulo.

A mistura de cânticos em iorubá, língua falada em países como a Nigéria, e jazz soa familiar a nós, povo de tantas misturas. O R&B, as influências afro-latinas, europeias e cubanas dialogam com a gente e nos faz sentir em casa. É como se o som da dupla nos transportasse para um final de semana de festa com a casa cheia.

As irmãs se complementam durante todo o tempo, assim como as projeções misturam-se às músicas e o jogo de luzes que ilumina o palco trabalha com as sombras de uma maneira poética e de uma beleza única. Nada na apresentação é dispensável, nada é por acaso.

O show foi dedicado a pessoas mortas pela violência de um mundo cada vez mais violento. Mais uma vez nos vimos ali, pelas mortes, pelo genocídio que presenciamos no Brasil e pela violência simbólica de tirarem de nós o que conquistamos com tantas lutas dos movimentos sociais nos últimos anos.

Entre poesia e protesto, Ibeyi fez o público dançar. E dançou. As irmãs se divertiram no palco, sorriram com vontade e a sensação foi de que da mesma forma que tudo ali nos era familiar, também o era a elas.  


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