Rap não é música de protesto

Rap não é música de protesto. Rap pode ser música de protesto. Mas separar o rap de toda a vivência política é ignorar seu começo, meio e fim. A mensagem a ser passada, os beats que a acompanham e moldam não podem ser destacados do contexto em que vive quem rima.

Quem não tem nada material, quem vive marginalizado, quem vê as pessoas atravessando a rua quando o notam está ligado ao contexto político mesmo sem saber. Existir é um protesto. E colocar isso em música é uma rebeldia. Gritar ao mundo que você não só existe como tem opinião é uma provocação que nem todos estão preparados para suportar.

E aí o Per Raps – que fala de rap, vive o rap e milita diariamente por um mundo melhor – acredita que não basta falar da música. A gente acredita que temos que falar do contexto, da política, da sociedade.

Nisso tudo é que entra o post de hoje. Esse mapa, do projeto Fogo no Barraco,  mostra as favelas que pegaram fogo nos últimos anos. E mostra em paralelo a especulação imobiliária – pra quem não entende esse conceito, são aqueles lugares que vão ficar caros por algum motivo e as incorporadoras estão malucas por terrenos enormes para construir apartamentos caríssimos.

Mas o que tem uma coisa com a outra, já que os incêndios são acidentes? Pois é aí mesmo que a gente quer chegar. Um incêndio pode ser acidente, mas 9 em 9 meses não são! E esse ano você vai poder votar – em São Paulo e em todos os outros lugares do Brasil – e está na sua mão escolher a pessoa que não vai deixar que a casa de alguém pegue fogo “acidentalmente” na área de especulação imobiliária.

A gente não está fazendo campanha a favor de ninguém, só estamos deixando claro quem são as pessoas que não lutam do mesmo lado que você e nós. Pense duas, dez, vinte e cinco mil vezes antes de votar em quem acha que esses “acidentes” acontecem e não tem como evitar.

por Carol Patrocinio