Consciência Negra: Rincon Sapiência e o Reino do Congo

–  Designação das ações ou eventos dedicados à reflexão sobre o papel do negro na construção da sociedade brasileira.

Dia 20 de novembro é uma data que marca a reflexão do que é ser negro no Brasil, mais que isso: se sentir negro, se identificar, se orgulhar e para isso é importante conhecermos a nossa história como ela realmente aconteceu e não apenas como nos contaram, já que a mesma história sempre tem várias versões e infelizmente na escola só nos ensinaram uma delas: a dos escravocratas.

A Lei 10.639/03 tornou obrigatório o ensino da História da África nas escolas mas ainda é triste o quanto os próprios professores ainda se sintam despreparados para ensinar mais sobre essa cultura justamente porque nos livros didáticos que ensinam a história do Brasil nos informam basicamente sobre heróis, filósofos, artistas brancos e todos os colonizadores.

Ainda bem estamos cansados de saber que nem tudo a gente aprende na escola e quem ensina mesmo são nossas experiência, é a vida, é a rua!

Um grande exemplo disso são artistas novos que nos ajudam a aprender e compreender mais nossa cultura, artistas conscientes que nos ensinam da forma que a gente mais gosta, com arte! Destacamos um deles:

Rincon Sapiência

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Nem precisa ir muito longe para saber um pouco da história através do cara, antes mesmo de dar play em qualquer som dele, seu próprio codinome já nos traz referência de nossos antepassados: Manicongo.

Manicongo era o título do rei, o soberano no Reino do Congo, um dos principais da África que à partir do século XIV estimava-se ter de 2 a 8 milhões de habitantes, o reino sempre foi rico em matéria prima como o ferro, cobre, o chumbo, a cerâmica, era uma sociedade bem dinâmica com comércio e muitas disputas por terra  já que o que garantia o poder era realmente a dominação das terras e também o volume populacional, no Reino do Congo também existiam os escravos, que eram escravos domésticos, prisioneiros de guerra que ajudavam a fortalecer o grupo do Congo e a linhagem e não eram discriminados, apenas ‘capturados’ para ajudar o Congo a crescer populacionalmente e não raro acabavam por ser tornar membros da família.

O Reino do Congo sempre foi sinônimo de poder, mas com a chegada dos portugueses e a conversão ao Catolicismo, alguns missionários iniciaram o tráfico de escravos (escravos esses que eram os inimigos do Congo e não sua própria população), essa alteração populacional acabou enfraquecendo Congo e inicialmente Luanda começou uma briga para se separar do Reino, um conflito entre Congo x Reino Tio x Jaga e a Guerra Civil aconteceu no século XVII e gerou a desintegração e fim do Reino do Congo.

Analisando os dados:

1551 -1575 – no Brasil desembarcaram 10 mil escravizados

1576 – 1600 – no Brasil desembarcaram 40 mil escravizados

1600- 1650 – no Brasil desembarcaram 200 mil escravizados( justamente a época de desintegração do Reino do Congo)

 Ou seja, de acordo com os dados a maioria chegou ao Brasil na mesma época de desintegração do Congo, logo, muitos nobres desse Reino tão poderoso chegou ao Brasil como escravizado.

Existe uma história da África muito bonita e rica pré-escravização, principalmente no Congo e a maioria dessas pessoas desembarcaram no Brasil, são nossos ancestrais tenhamos nós a consciência disso e que essa história também é parte da nossa história.

Rincon nos presenteou com o #NovembroManicongo todas às quinta às 16:00 um som novo e mais referências  para gente curtir boa música e aprender ainda mais.