No futuro, ‘Brime’ será visto como um marco no rap nacional

Alguns acontecimentos surgem ao decorrer dos anos para deixar marcas atemporais na história, que refletirão por um longo período. O rap não está fora disso e diversos exemplos já foram observados, principalmente neste século, como primeira mixtape do Emicida, em 2009, a ascensão do trap impulsionada por Raffa Moreira, em 2015, entre outros casos. 

Dentro da nossa cultura, esses exemplos citados são pontos de partida para novas tendências que serão absorvidas a médio prazo, inspirando novos artistas. No último dia 2 de março, vimos um desses fenômenos se repetir, com o lançamento do EP Brime, do produtor Cesrv, com participação dos rappers Febem e Fleezus.

“Brime” tem tudo para ser visto, no futuro, como um marco no rap nacional. O trabalho tem potencial para impactar positivamente na ascensão do grime e, acima de tudo, criar uma linguagem que reaproxima o rap com a cultura brasileira, através do funk. Ao misturar o bpm do grime com as batidas do funk, “Brime” é capaz de criar uma atmosfera popular, que representa nosso povo.

Confira como foi a trip de Cersv, Fleezus e Febem para Londres no .doc “Say Nuttin”

Em 2019, os três artistas foram para Londres, onde tiveram contato direto com o grime londrino e a cena local. Segundo eles, os olhares de dúvida sobre o trabalho dos brasileiros mudaram rapidamente, após apresentar as faixas de Brime. A originalidade das músicas, que colocavam as cores do Brasil sobre aquela arte local, deixou os ingleses impressionados. 

É nesse ponto que “Brime” já se apresenta como uma obra ímpar, em meio a uma cena que corre o risco de saturar. Enquanto os artistas caminham para um mesmo lado, Brime vai por uma via oposta e diz para todos que é possível ser criador, sem ser um mero replicador do que é feito lá fora.  

A união inesperada da sonoridade londrina com o tamborzão brasileiro, criada por Cesrv, apresenta uma ambientação legítima à nova geração do rap nacional de que é possível inovar, sair da bolha e fazer música de gente grande. Febem, Fleezus e Cesrv conseguiram aplicar o dancehall, o afrobeat e o garage numa estética tupiniquim, ainda respeitando a cultura de lá, criando um “grime de paredão”. 

No último dia 2 de março, Cesrv, Febem e Fleezu lançaram "Brime", EP que traz um sopro de  inovação e certeza será considerado um marco para o rap nacional

Se os trappers trazem nas músicas a tentativa da vivência norte-americana, com a exaltação à ostentação, a linguagem adotada por Febem e Fleezus vai na contramão, lembrando as letras de funk, mostrando as similaridades das quebradas do Brasil e Londres, onde o futebol e as tracksuits são pilares da cultura. Isso mostra que Brime é real, é verdadeiro e original, capaz de criar novos laços entre o hip-hop e a quebrada.

Assim como Micantifa, da Radio NTS e um dos nomes mais respeitados do grime londrino, disse para o três, lá no Velho Continente, é possível afirmar aqui também: Brime é o Brasil e é o futuro, mostrando que o se a nova geração nacional “buscar ser mais nacional”, estará longe de atingir o seu pico criativo.

Confira entrevista feita pelo RapTV com Cesrv, Febem e Fleezus sobre Brime!